quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A reforma

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Quase todos nós conhecemos a história do alemão que combateu a venda de Indulgência e traduziu a Bíblia para ao alemão.

O papel de Martinho Lutero na história é inquestionável. Sua contribuição para o cristianismo foi preciosa. Francis Schaeffer está corretíssimo ao evocar os valores da reforma como “respostas” válidas, necessárias e verdadeiras à crise de valores e filosófica enfrentada pela igreja e sociedade européia naquela época.

As perguntas, todavia, que faço nesse segundo capítulo são:

1) Se a reforma depositou a autoridade final na Bíblia (o que é correto) isso só indica que ela tirou autoridade da igreja como instituição e a depositou nas mãos dos indivíduos. Ou seja, a interpretação da Bíblia caberia não somente à cúpula aos clérigos, mas ao conjunto de fiéis e também aos leigos. Cada indivíduo que interprete aquilo que lhe bem apraz. E cada um dará conta de si mesmo. Será então que o elemento humanístico não permaneceria bem presente (ou até mesmo mais forte), só que o que antes era feito de forma institucional e coletivo, agora se faria de forma individual e informal?

2) Ainda que FS interprete, então, a reforma como um levante contra o humanismo, não seria isso apenas sua própria interpretação, pois as questões envolvidas na época eram completamente outras (religiosas, políticas, sociais) e menos filosóficas?

3) Até que ponto o intelecto e a vontade do homem estão totalmente caídos e inoperantes e até que ponto eles guardam a imagem do criador e seriam ainda capazes e até mesmo desafiados a agirem em prol da salvação? Ou em outras palavras, até que ponto seriam as mãos da fé de fato elevadas vazias?

Um comentário:

Alexandre disse...

Caro, Roger,
Parabéns pelo blog, gostei muito das suas reflexões em torno da obra de Schaeffer.
Porém sobre esta postagem, quero ressaltar que a reforma nunca propagou que a Escritura deveria ser interpretada pelos fiéis do modo como desejassem, ou seja,"livre interpretação", o que a reforma propôs foi o "livre exame das Escrituras", pois qualquer interpretação seja lá de qual texto for, deve estar subordinada a critérios que a tornem válida.

Um abraço,

Alexandre